Depois do sucesso em São Paulo, chega ao Rio o espetáculo
▹indicado ao 37º Prêmio Shell de Melhor Ator para Genezio de Barros
▹curta temporada, de 31 outubro a 15 de novembro no Teatro Fashion Mall
Através da história de um ator que enfrenta o Alzheimer, a peça da irlandesa Deirdre Kinahan faz uma delicada e poética reflexão sobre memória, tempo e os vínculos que permanecem.
O texto foi escrito para o ator irlandês Bryan Murray, referência das artes cênicas na Irlanda, com mais de cinco décadas entre teatro, TV e cinema. Afastado da carreira devido ao Alzheimer, Murray retornou aos palcos em 2023 para atuar nesta peça.
Depois de uma temporada de sucesso de crítica e público no Sesc Pompeia, em São Paulo, UMA VELHA CANÇÃO, QUASE ESQUECIDA, da dramaturga irlandesa Deirdre Kinahan, chega ao Rio de Janeiro para curtíssima temporada no Teatro Fashion Mall. A montagem é uma produção da Cia Ludens em parceria com o Teatro de Jardim SP, e tem patrocínio do Consulado Geral da Irlanda em São Paulo.
Com direção e tradução de Domingos Nunez, o espetáculo reúne os atores Genezio de Barros, indicado ao Prêmio Shell de Teatro de Melhor Ator por este trabalho, e Iuri Saraiva (ator já premiado por outros trabalhos com os Prêmios APCA e Bibi Ferreira) em torno de um mesmo personagem em diferentes momentos da vida: James O'Brien, um ator que, já na velhice, percorre as lembranças de uma vida dedicada ao teatro enquanto convive com o avanço do Alzheimer.
UMA VELHA CANÇÃO, QUASE ESQUECIDA é uma peça sobre o tempo. Sobre o que a memória leva, mas também sobre o que não se apaga. Foi concebida para dois atores que representam diferentes fases de um mesmo homem. O encontro entre os dois tempos – passado e presente - faz da memória não apenas tema, mas também estrutura da própria narrativa.
A autora observa a demência progressiva não apenas como perda, mas como processo de transformação da percepção, da linguagem e da relação do indivíduo com sua própria história.
“O que me motiva neste texto é o cuidado, a generosidade, a leveza com que a autora trata de um assunto tão difícil e ao mesmo tempo tão perto, tão presente na vida de todos nós. Quem não tem um parente, um amigo, um conhecido com uma doença degenerativa? Com muita delicadeza ela nos conduz através da personagem a meditar sobre a fragilidade humana, sobre a finitude e principalmente sobre o amor.”, diz Genezio de Barros.
“É um trabalho muito especial pra mim porque é a peça que coroa um projeto de pesquisa da Cia Ludens em torno da representação de “deficiências” físicas no teatro irlandês desde o começo do século passado até o tempo presente. E neste texto, de forma inusitada e muito inspirada, o tema do Alzheimer é tratado com imensa delicadeza, poesia e humor. Espero que os espectadores do Rio saiam tocados pelo espetáculo, como aconteceu em São Paulo.” completa o diretor e tradutor, Domingos Nunez.
SINOPSE
Uma jornada para dentro da alma e da história de James O'Brien, um velho ator, que, convivendo com o Alzheimer, escreve obstinadamente na tentativa de manter vivos pessoas e fatos que marcaram a sua trajetória. Durante um concerto no asilo onde mora, movido pela música e provocado pela presença de sua versão mais jovem, tenta reconstruir suas memórias de carreira, família e amores. Aos poucos, passado e presente se fundem, enquanto a escrita e a música representam a tentativa de organizar uma memória que já não se deixa acessar inteiramente.
A ENCENAÇÃO
A dramaturgia constrói uma relação entre o homem e sua versão mais jovem, através do cruzamento de diferentes tempos e personagens que vão se encontrando e se sobrepondo.
O palco está tomado por grandes fardos de papel, simbolizando o acúmulo de uma existência e também a tentativa de armazenamento de uma memória que insiste em escapar.
A música - violão, violino e acordeom - composta e executada ao vivo pelo violonista brasileiro Mário da Silva, em cena ao lado dos músicos Gabriel Paixão e Joyce Sales, simboliza uma projeção da mente do personagem que, junto com seus escritos, tenta organizar e reter as lembranças e distinguir o presente do passado.
UMA PEÇA QUE NASCEU PARA UM ATOR
A origem de UMA VELHA CANÇÃO, QUASE ESQUECIDA carrega uma dimensão especialmente singular: Kinahan escreveu a peça para o ator irlandês Bryan Murray, referência das artes cênicas na Irlanda, com mais de cinco décadas entre teatro, TV e cinema.
Diagnosticado com Alzheimer em 2019, Murray vinha se afastando gradualmente, mas retornou aos palcos em 2023 para interpretar James O'Brien, personagem que ficciona sua própria trajetória. Uma obra sobre memória criada especialmente para um ator que enfrentou, na própria vida, a experiência desse desencontro consigo.
Em 2024, Deirdre Kinahan e Bryan Murray receberam conjuntamente o inaugural Pratchett Prize, concedido pelo Trinity Centre for Literary and Cultural Translation, pelo trabalho da peça no enfrentamento do estigma associado ao Alzheimer.
A CRÍTICA
“(…) terreno fértil para que Genezio de Barros revele toda a potência de seu talento.” Gabriela Mellão, jurada Shell.
“As atuações de Genezio de Barros e Iuri Saraiva constituem o coração sensível do espetáculo (...). Ao final, o que permanece não é uma narrativa sobre o Alzheimer, mas uma poética do desaparecimento.” Bob Souza, jurado APCA.
“Genezio de Barros interpreta o velho ator com seus talento e elegância habituais. Apenas mudanças faciais podem trazer todo o significado do que está ocorrendo. Esta vigorosa interpretação vem se somar a outros grandes trabalhos já realizados por esse grande ator.” José Cetra, Palco Paulistano, jurado APCA.
“Daqui a alguns anos, o dueto dos grandes atores ainda poderá ser lembrado e a cena seguirá viva na memória de alguém que se emocionou com um grupo de artistas naquela sessão.” Dirceu Alves Jr, Infoteatro.
“O vigor da atuação potencializa a dramaturgia. Genezio de Barros move-se entre a lucidez e o nevoeiro na pele do veterano agarrado ao seu caderno de notas tal qual um amuleto.” Edgar Olímpio de Souza, Jornal Pauliceia, jurado APCA.
“O diálogo entre Genésio e Iuri emociona porque nunca soa mecânico: há afeto, cumplicidade e uma dor silenciosa atravessando cada encontro.” Leandro Augusto, Arte 8.
DEIRDRE KINAHAN - autora
Deirdre Kinahan nasceu em Dublin, em 1968, e atualmente reside no condado de Meath. Fundou e dirigiu por 15 anos a cia teatral Tall Tales, escrevendo e produzindo diversas peças teatrais para a companhia. Tem colaborado ao longo dos anos com os principais teatros em atividade na Irlanda e no circuito internacional.
Atuou como membro do conselho do Theatre Forum Ireland e do Abbey Theatre, e é membro da Aosdána, um corpo de artistas condecorados por sua notável contribuição à vida cultural irlandesa.
Autora de inúmeras peças desde 1999, e com diversos prêmios no currículo, teve “Knocknashee – a colina das fadas”, peça de 2002, publicada no Brasil em 2025 pela editora Iluminuras, com tradução de Beatriz Kopschitz Bastos e Lúcia K. X. Bastos. Este texto, juntamente com outros quatro de autores contemporâneos, também publicados pela editora Iluminuras, fizeram parte do V Ciclo de Leituras da Cia Ludens: Teatro Irlandês, deficiência e protagonismo.
DOMINGOS NUNEZ – diretor e tradutor
Graduado em Letras pela Universidade Federal de Santa Catarina (1988), mestre em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (1999), doutor em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês pela mesma universidade, com bolsa de residência na National University of Ireland, Dublin (2005) e pós-doutor em escrita criativa pela UNESP/São José do Rio Preto (2017).
É tradutor, autor, coautor e diretor artístico de todas as produções da Cia Ludens desde a sua fundação em 2003: “Dançando em Lúnassa”, de Brian Friel, Centro Cultural São Paulo (2004); “Pedras nos Bolsos”, de Marie Jones, Teatro Folha (2006); “Idiota no País dos Absurdos”, adaptação da peça de Bernard Shaw, Sala Crisantempo (2008); “O Fantástico Reparador de Feridas”, de Brian Friel, Cultura Inglesa e Sesc SP (2009); “Balangangueri, o lugar onde ninguém mais ri”, dramaturgia a partir da obra de Tom Murphy, Sesc SP (2011); “Dançando em Lúnassa, de Brian Friel (2013); “As Duas Mortes de Roger Casement”, de sua autoria, Teatro Aliança Francesa (2016) e O’Donoghue Centre, Galway, Irlanda (2018); “O Fantástico Reparador de Feridas”, de Brian Friel, versão online, SESC SP (2020); “Bailegangaire”, de Tom Murphy, transmissão online, Teatro Aliança Francesa (2021); “Luvas e Anéis”, de Rosaleen McDonagh, Sesc SP (2023) e “Uma Velha Canção, Quase Esquecida”, de Deirdre Kinahan, Sesc SP (2026).
Recebeu o prêmio do 13 ̊ Cultura Inglesa Festival por “O Fantástico Reparador de Feridas” (2009); indicação ao prêmio especial da APCA pelos dez anos da Cia. Ludens (2013); indicação ao Prêmio Jabuti pela tradução das quatro peças da “Coleção Brian Friel” (2014) e foi selecionado para a temporada internacional de “The Two Deaths of Roger Casement”, O’Donoghue Centre, Galway, Irlanda (2018).
Dramaturgia Original: Deirdre Kinahan
Curadoria: Beatriz Kopschitz Bastos
Tradução e Direção Artística: Domingos Nunez
Elenco: Genezio de Barros e Iuri Saraiva
Trilha Sonora Original: Mario da Silva
Músicos em Cena: Mario da Silva, Gabriel Paixão e Joyce Sales
Figurinos: Chico Cardoso
Costureira: Lili Santa Rosa
Cenografia: Marisa Rebollo
Cenotecnia: Alício Silva/ Casa Malagueta
Design de Luz: Zerlô
Operação Técnica de Luz: Jorge Raibott
Fotografia Artística: Ronaldo Gutierrez
Identidade Visual: Dalua Criações
Captação e Edição: Ícarus Filmes
Produção Executiva: Luísa Luísa
Direção de Produção: André Roman
Produção e Realização: Cia Ludens e Teatro de Jardim
Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany
Realização: Cia Ludens e Teatro de Jardim SP
WhatsApp: 21 999605790
Crianças e jovens acima de 3 anos podem entrar em qualquer espetáculo, mesmo abaixo da classificação indicada, desde que acompanhados dos pais ou do responsável legal, mediante a apresentação do documento de ambos na bilheteria.
Menores de 3 anos: em espetáculos de classificação adulta, a entrada de crianças de colo pode não ser permitida pelo teatro, porque choro e ruído atrapalham o espetáculo e a concentração dos artistas. Consulte-nos antes de comprar pelo WhatsApp 21 99960-5790. A recusa de entrada nessa situação não gera direito a estorno.
Qualquer espectador, adulto ou criança, que atrapalhe o andamento do espetáculo poderá ser convidado a se retirar pela equipe do teatro, sem direito a estorno.
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